En immersion: sciences sociales, journalisme et littérature

Le CRAPE organise la semaine prochaine un colloque Immersion: Expériences / pratiques / représentations de l’immersion en sciences sociales, journalisme et littérature (du 27 au 29 novembre 2013 à Rennes, IEP).

Peut-on gagner une connaissance inédite, une intelligence de tel ou tel monde social en s’y immergeant ? La tentation est forte de répondre oui, de souligner que cette approche promet souvent d’ajouter à l’analyse de mécanismes de causalité, une pénétration particulière des expériences, de subjectivités, une connaissance des scènes et des micros interactions qui font la vie ordinaire. Qu’il s’agisse de Ted Conover faisant un reportage sur les travailleurs agricoles sans papiers venus du Mexique vers les vergers de Floride, de Didier Fassin éclairant l’activité des BAC en partageant avec les policiers des patrouilles nocturnes ou d’Abdelha Hammoudi rapportant l’expérience partagée du Hadj avec les pélerins, les illustrations des vertus de ces approches « immersives », « ethnographiques » abondent.
L’enjeu de ce colloque est de réfléchir à une série de questions pratiques et épistémologiques que posent ces démarches. Utilisées par sociologues et journalistes, suggèrent-elles convergence ou différence persistante entre deux pratiques du terrain ? Y aurait-il des espaces plus propices à l’immersion, d’autres si fermés qu’ils y condamnent sous la forme d’enquêtes à couvert ? Comment s’immerger sans se noyer, sans s’engloutir dans les détails et le pittoresque du terrain ? Comment trouver encore les mots pour le dire, pour transmettre à un lecteur les décors, les personnages, les émotions, les couleurs et grisailles de ces expériences ? Quelles sont encore les limites de ces pratiques qui – parce qu’elles peuvent donner à l’investigation un parfum Indiana Jones – peuvent aussi anesthésier par là la distance critique de l’enquêteur comme de son lecteur ?
Pendant trois jours ces questions seront débattues à Rennes. Le dessein des participants est de produire une réflexion de référence en dépassant les clivages routinisés. Penser la pratique de l’immersion, son écriture aussi. Faire échanger sociologues, ethnologues et analystes des récits. Organiser la confrontation entre journalistes et universitaires.
Le programme est ambitieux. Les contributions programmées le justifient.

Le programme complet est disponible en format pdf.

CFP: « Em imersão »

16 février 2013 par  
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« Em imersão »

Colóquio internacional

Jornalismo, sociologia, etnologia, história, literatura, ciência política

Experiências / práticas / representações da imersão em ciências sociais e jornalismo

Rennes, França, 27-29 de novembro de 2013

Organização : CRAPE

UMR 6051

Em associação com o CNRS, a Universidade de Rennes 1, o IEP de Rennes e o EHESP.

                  Como melhor compreender e descrever um universo social do que mergulhando no núcleo  da sua realidade, dividindo a vida de seus atores, observando-a de mais perto possível, dia após dia, e mascarando, calando ou fazendo calar, tudo o que viria da exterioridade da condição de observador? Há tempos analistas, descrevedores e « contadores » de « mundos sociais » (antropólogos, etnólogos, jornalistas, sociólogos, escritores…) têm defendido o recurso à prática da imersão para apreender aquilo que por outras formas de abordagem ficaria desconhecido ou escondido. Largamente difundidos entre um público pouco familiar das ciências sociais, as narrativas dos jornalistas e dos romancistas, sobre universos sociais frequentemente  esquecidos (precários, imigrantes…) ou com reputação de difícil acesso (exércitos, partidos políticos) para os journalistas, constituíram tentativas marcantes para ultrapassar as rotinas da investigação jornalística. Jornalistas nos Estados-Unidos deram novamente respeitabilidade a esta tradição e reveindicam o rótulo de “jornalismo de imersão”. Mas o princípio da imersão conhece também uma atualidade em abundância nas ciências sociais, não sem sucitar – em primeiro lugar da parte dos  próprios atores –  interrogações sobre o estatuto do observador e o valor específico daquilo que seria desta forma “descoberto” ou “relatado”.

Este colóquio tem como vocação questionar de maneira crítica o princípio da « imersão », confrontando as relações que o jornalismo e as ciências sociais mantêm com essa prática. Se o nome cobre múltiplas realidades (o modo de observação, a natureza do compromisso,  o relato da experiência, a tomada de distância) e as finalidades aparecem distintas no jornalismo e nas ciências sociais (o que não foi sempre o caso cf. Robert Park e suas relações com o jornalismo), vemos que muitas experiências se justificam frequentemente em razão da impenetrabilidade de um espaço social e da fecundidade dos conhecimentos adquiridos por este meio. As experiências de imersão  sublinham também a conversão durável do observador, de seus pincípios de julgamento e de suas cetegorias de apreensão.

Nós propomos portanto organizar um colóquio de três dias que coloque estas questões em debate, juntando e permitindo trocas entre universitários e jornalistas, com momentos de abertura a um público mais largo.

As proposições de comunicações poderão se formular em torno de três temas ;

Eixo 1 : A imersão, uma velha história?

Uma história das práticas de imersão ainda está por ser feita. Os nomes de London (The People of the abyss, 1903), Orwell (Down and out in Paris and London, 1933), Walraff (Tête de turc, 1986) em jornalismo e literatura; de Malinowski (Les argonautes du Pacifique occidental, 1922), de Whyte (Street corner society, 1943), Becker (Outsiders, 1963) ou ainda Goffman (Asylum, 1961) são célebres, mas outras experiências anteriores ou paralelas não tiveram a mesma posteridade. Como, de ontem à hoje, se justificou o recurso a esta prática? Como estas experiências foram pensadas por seus autores? Que recepção estes trabalhos suscitaram entre os especialistas ou entre um público mais largo?

As proposições irão concentrar-se sobre a análise de uma ou mais experiências re-situando-as em suas singularidades, sua história, suas problemáticas em função de ângulos de ataque próprios às diferentes disciplinas (antropologia, história, literatura, sociologia) ou práticas professionais (literatura, jornalismo…).

Eixo 2 : A imersão, que atualidade em jornalismo e ciências sociais?

Em elo com o eixo precedente, as proposições se interessarão por exemplos recentes em jornalismo e ciências sociais para se interrogar no presente sobre o que está em jogo na imersão.  Quais meios, profissões, organizações « imporiam » hoje a prática da imersão? Quais presupostos estão comprometidos nesta prática? A imersão permite superar os problemas práticos de observação? Em que medida a imersão não envia implícitamente, de maneira mais evidente do que outras formas  de observação, a uma vontade de transformação da realidade social ?

Eixo 3 : Escrever a imersão

Em primeiro lugar há a questão da escrita. Existem maneiras mais exatas, mais respeitosas para restituir a pesquisa de campo? O investigador deve ser discreto ou se colocar em cena? Que lugar dar aos diálogos, às descrições (Geertz), deve-se arriscar o monólogo interior? Tantas perguntas que são o objeto de debates entre jornalistas (Boynton, 2005) mas também entre pesquisadores. Aqui também as estratégias postas em prática podem variar, do mais explicativo, entre os jornalistas que se reveindicam do « muckracking » (Schlosser, Hallinan nos EUA), a tomadas de perspectiva em prefácios, para outros (A. Nicole Leblanc, L. Dash). Como os especialistas de ciências sociais fazem, face aos custos e ao resultado de formas de escrita mais narrativas?

As contribuições poderão ser, aqui, retornos sobre experiências de pesquisas, de análises de práticas nas áreas do jornalismo (antigas ou recentes) e de ciências sociais, e questionarão mais largamente a dimensão da escritura em ciências sociais e em jornalismo, das ferramentas mas também das proibições implícitas que definem os modos legítimos e ilegítimos de escrever o social.

Este colóquio internacional será realizado durante três dias em Rennes em novembro de 2013.

Comitê de organização: Géraud Lafarge, Christian Le Bart, Pierre Leroux, Erik Neveu, Roselyne Ringoot, Sami Zegnani.

Comitê científico: Daniel Bizeul, Sociólogo, CRESPPA-CSU ; Didier Demazière, pesquisador CNRS, CSO-Sciences Po ; Eric Lagneau, AFP/EHESS, Instituto Marcel Mauss, Cyril Lemieux, Diretor de estudos no EHESS/LIER Instituto Marcel Mauss, Pierre Leroux, UCO/CRAPE, Nicolas Mariot, Encarregado de Pesquisas no CNRS, CURAPP, Erik Neveu, IEP de Rennes/CRAPE, Dominique Pasquier, diretora de pesquisa CNRS, Escola Nacional Superiora das telecomunicações ; Michael Palmer, Professor emérito, Universidade Paris 3 ; Nicolas Renahy, , Sociólogo, pesquisador INRA,Marie-Eve Therenty, Professor, Universidade de Montpellier III ; Violaine Roussel (socióloga, Universidade Paris VIII).

Modalidades de proposição de comunicação

Língua da proposição: francês, inglês, português.

Língua do colóquio: francês, inglês, português.

A proposição de contribuição deve ser apresentada como segue :

  • 1. Dados exatos (sobrenome, nome, função, estabelecimento ou título de mídia, endereço eletrônico) de cada autor.
  • 2. Resumo da proposição em torno de 2 500 – 4 000 caracteres.

Apresentação das propostas

Sua proposição em formato WORD, ODT ou PDF será enviada por via eletrônica em paralelo a Pierre Leroux ( pierre.leroux@uco.fr ) e Erik Neveu ( erik.neveu@sciencespo-rennes.fr ).

Data limite de apresentação das proposições:  15 de março de 2013   

Avaliação das proposições

Cada proposição será objeto de uma avaliação por dois membros do comitê científico.

Os autores das proposições aceitas serão informados por via eletrônica antes de 1° de abril de 2013.