Le journalisme et les sciences sociales. Trouble ou problème ?

Gilles Bastin

Résumé


  • La sociologie et le journalisme, comme disciplines de factualisation du monde social (c’est-à-dire de transformation d’un réel continu en une série discontinue de faits susceptibles d’analyse causale et d’interprétation), présentent de nombreux points de convergence. Elles partagent certaines méthodes comme celle de l’entretien et ont connu des périodes d’échanges intenses dans certains pays comme les États-Unis. Il serait absurde de dire que sociologues et journalistes se ressemblent toujours. En revanche il n’est pas absurde de noter qu’un sociologue et un journaliste peuvent plus se ressembler dans leur façon de construire, de collecter et d’analyser des faits que deux sociologues entre eux ou deux journalistes entre eux. Malgré cela les sociologues partagent souvent de tenaces préjugés quant aux journalistes. Dans cet article on examine ces préjugés en relation aux deux principales formes prises par la « panique morale » diffuse qui s’est emparée des sociétés modernes à l’âge des médias de masse : la peur de l’imitation à la fin du XIXe siècle et la peur de la massification au milieu du XXe siècle. Le rejet par Émile Durkheim de l’idée que les journaux puissent avoir un rôle dans les phénomènes de suicide autour de 1895 et le rejet par Pierre Bourdieu et Jean-Claude Passeron de l’analyse des communications de masse au début des années 1960 servent de cas d’étude. En adoptant une telle stratégie de rupture, que nous assimilons à une forme de « boundary work », les sociologues prennent le risque d’alimenter la panique morale dont sont victimes les journalistes au lieu de la réduire, de rester au niveau du « trouble » personnel provoqué par les médias sans aller vers la construction d’un « problème » social à propos des médias.

 

  • As factualization disciplines of the social world (in that they transform a continuous reality into a discontinuous series of facts open to causal analysis and interpretation), sociology and journalism have many points in common. They share methods (such as the interview) and have experienced periods of intense exchange in countries like the United States. It would be absurd to claim that sociologists and journalists always mirror each other. On the other hand, it is not absurd to state that a sociologist and a journalist may resemble each other more in the way they build, collect and analyze facts than two sociologists or two journalists respectively. In spite of this, sociologists often hold stubborn prejudices against journalists. In this paper, we examine these prejudices in the context of the two main cases of widespread “moral panic” that gripped modern society in the age of mass media: the fear of “imitation” in the late nineteenth century and the fear of “massification” in the mid-twentieth century. Emile Durkheim’s rejection of the idea that newspapers had a role in the suicide phenomena around 1895 and the rejection by Pierre Bourdieu and Jean-Claude Passeron of the analysis of mass communication in the early 1960s serve as case studies. By adopting such a strategy of rupture, that we equate to a form of “boundary work,” sociologists run the risk of fueling the moral panic affecting journalists rather than reducing it; of staying at the level of the personal “trouble” created by the media rather than examining the possibility of a social “problem” regarding media.

 

  • A sociologia e o jornalismo, como disciplinas de factualização do mundo social (isto é, a transformação de um real contínuo em uma série descontínua de fatos, suscetíveis à análise causal e à interpretação), apresentam vários pontos de convergência. Elas compartilham alguns métodos, tais como a entrevista e conheceram momentos de intensas trocas em países como os Estados Unidos. Seria absurdo dizer que sociólogos e jornalistas são sempre semelhantes. No entanto, não é absurdo notar que um sociólogo e um jornalista são mais parecidos na formar de construir, coletar e analisar fatos do que dois sociólogos juntos ou dois jornalistas juntos. Apesar disso, os sociólogos frequentemente têm preconceitos sistemáticos a respeito de jornalistas. Neste artigo, vamos examinar esses preconceitos em relação aos dois principais formatos assumidos pela atitude de “pânico moral” que assolou a sociedade moderna na era dos meios de comunicação de massa: o medo da imitação, no final do século XIX, e o medo da massificação, em meados do século XX. A rejeição por Émile Durkheim da ideia de que os jornais podem desempenhar um papel nos fenômenos de suicídio por volta de 1895 e a rejeição por Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron da análise da comunicações de massa no início dos anos 1960 servem de estudo de caso neste artigo. Ao adotar tal estratégia de ruptura, um “boundary work” em nossa opinião, os sociólogos correm o risco de promover, no lugar de reduzir, o pânico moral em relação aos jornalistas. Além disso, acabam tratando como um “obstáculo” pes¬soal temáticas relacionadas à mídia que poderiam ser construídas como “problema” social.

Mots-clés


sociologie; journalisme; paniques morales; Durkheim; Bourdieu; Passeron

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