Staatsfreiheit ou intervention de l’État ? Le modèle allemand de l’audiovisuel public

Valérie Robert

Résumé


En Allemagne, la Staatsfreiheit (liberté par rapport à l’Etat) de l’audiovisuel a une valeur constitutionnelle. Pourtant, l’Etat dans ses différentes acceptions (exécutif et parlements de l’Etat fédéral et des Länder, mais aussi partis politiques) exerce une forte emprise sur les instituts de l’audiovisuel public par le biais de la composition de leurs conseils et par une pratique bien établie de répartition proportionnelle des postes parmi les partis (Proporz). Cette mainmise, dénoncée depuis longtemps par les juristes mais aussi de manière ponctuelle par les journalistes, est devenue particulièrement visible lors de « l’affaire Brender » en 2009, lorsque des ministres-présidents de la CDU et leurs alliés siégeant au conseil d’administration de la chaîne de télévision ZDF ont refusé de prolonger le contrat du rédacteur en chef. Ceci a mené finalement au dépôt par les gouvernements sociaux-démocrates de plusieurs Länder d’un recours en contrôle de constitutionnalité auprès de la Cour constitutionnelle, portant sur la composition des conseils administrant la ZDF. Une analyse du discours de la presse allemande à ce sujet montre que la représentation d’un audiovisuel public indépendant de l’État semble avoir pour les journalistes allemands une fonction identitaire, celle d’un mythe professionnel qui fait passer à l’arrière-plan le caractère structurel de l’influence de l’Etat. Le discours oscille entre une solidarisation démonstrative avec Brender et une mémoire sélective quant aux précédents d’influence politique sur l’audiovisuel public. Des systèmes étrangers (la France mais surtout l’Italie) ont dans ce discours une fonction de repoussoir, et la comparaison sert davantage à entretenir la mobilisation qu’à décrire des ressemblances qui pourtant existent mais remettraient en question le mythe de l’indépendance.

In Germany the constitution (Grundgesetz) guarantees that broadcasting enjoys freedom from state control (Staatsfreiheit). Yet, the state in its various forms (the executive, the parliaments of the federal states and of the Länder, but also the political parties) has a strong grip on the public broadcasting agencies through the composition of their boards and through a well-established practice of proportional
distribution of jobs among the parties (Proporz). This influence, which has long been denounced not only by jurists, but also, occasionally, by journalists, became particularly visible during the “Brender case” in 2009, when Christian Democrat state premiers and their allies on the administrative board of the public TV channel ZDF refused to extend the employment contract of its editor-in-chief, Nikolaus Brender. This eventually led to a legal appeal before Germany’s Constitutional Court, brought by the social-democratic governments of several Länder, to examine the constitutionality of the composition of the boards that administer the ZDF. An analysis of press discourse on this topic shows that the representation of a public broadcasting system independent of the state seems to have an identity-building function for German journalists: a “professional myth” that pushes into the background the structural character of state influence. The discourse oscillates between a demonstrative solidarity with Brender, and a selective memory of the precedents of political influence on public broadcasting. Foreign systems (France’s, but mostly Italy’s) are used as cautionary examples, and Germany is compared with them in order to rally support rather than describe similarities that would put in question the myth of German public broadcasting’s independence.

Na Alemanha, a Staatsfreiheit (liberdade em relação ao Estado) do audiovisual tem valor constitucional. Porém, o Estado em suas diferentes acepções (Executivo e Parlamentos do Estado Federal e dos Länder, mas também partidos políticos)exerce um forte domínio sobre os institutos de audiovisual público através da composição de seus conselhos e pela prática bem estabelecida da repartição proporcional de vagas aos partidos (Proporz). Este controle, denunciado há tempos pelos juristas, mas também de maneira pontual por jornalistas, tornou-se particularmente visível com o « caso Brender » em 2009, quando os ministros-presidentes da CDU e seus aliados membros do Conselho de Administração do canal de televisão ZDF recusaram o prolongamento do contrato do diretor da redação. No final, os governos sócio-democratas de vários Länder entraram com um recurso no Tribunal Constitucional de Controle de Constitucionalidade relativo à composição dos conselhos que administram a ZDF. Uma análise do discurso da imprensa alemã sobre o assunto mostra que a representação de um audiovisual público independente do Estado parece ter, para os jornalistas alemães, uma « função de identidade », notadamente a de um mito profissional que coloca em último plano o caráter estrutural da influência do Estado. Este discurso oscila entre uma clara solidariedade com Brender e uma memória seletiva em relação às precedentes influências políticas sobre o audiovisual público. Os sistemas estrangeiros (a França, mas, sobretudo, a Itália) adquirem neste discurso uma « função de repúdio », e esta comparação serve mais para manter a mobilização do que para descrever as convergências que, no entanto, existem, mas poderiam questionar o mito da independência.


Mots-clés


Audiovisuel public, Allemagne, Etat, journalistes, partis politiques

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