Une madone à Fukushima. La condition numérique du portrait de presse

  • Adeline Wrona Université Paris Sorbonne

Résumé

Cet submission analyse l’incidence des modes de circulation de l’image sur les pratiques de la photographie de presse. L’exemple choisi est celui d’une photographie qui représente une femme au milieu des décombres d’Ishinomaki, image achetée par l’Agence France-Presse (AFP) à un quotidien japonais, au lendemain du Tsunami de mars 2011. Reprise en couverture de nombreux journaux occidentaux, recadrée autour de la figure féminine, initialement saisie en plan large, cette photographie devient un portrait, rapidement désigné comme « la madone des décombres ». En décrivant les facteurs techniques, commerciaux et éditoriaux qui structurent le secteur de la photographie de presse, l’submission interroge la mondialisation des standards visuels. Il s’agit de comprendre comment des phénomènes de stéréotypie visuelle apparaissent en lien avec le fonctionnement du marché de l’image numérique : l’auteur procède donc à une observation des logiciels utilisés par les journalistes de l’AFP, combinée à une analyse sémiotique des formats, légendes, commentaires sur l’image. Il apparaît que la mondialisation de la photographie de presse, qui repose sur des « syndications » internationales, modifie aussi le statut du photographe d’agence. Alors que les normes journalistiques pour le journalisme agencier préconisent l’effacement de l’auteur, les transformations de la photographie d’Ishinomaki sont le déclenchement d’un feuilleton médiatique, sur les réseaux sociaux comme dans les magazines occidentaux, dont le photographe lui-même devient le héros. L’AFP publie une semaine après le Tsunami une dépêche concernant l’histoire de cette image, dévoilant toutes sortes d’informations qui demeurent ordinairement inconnues du public : prix de vente de la photographie, nom du chef du bureau chargé de la collecte d’informations en Asie, identité du photographe. Tous ces détails sont archivés sur une page du réseau Facebook consacrée à cette image : l’hybridation des standards visuels asiatiques et occidentaux se double donc d’une mutation des formes journalistiques, sous l’emprise des médias informatisés.
 
This submission analyzes the impact of the means of circulation of images on the practices of press photography. The example chosen is a photograph of a woman standing in the rubble of Ishinomaki following the tsunami in March 2011, which was purchased from a Japanese newspaper by the Agence France-Presse (AFP). Originally a wide shot, the iconic so-called “Madonna of the Rubble” photo was reprinted on the cover of many Western newspapers cropped around the female figure. In describing the technical, commercial and editorial factors which define the domain of press photography, this submission examines the globalization of visual standards in an effort to understand how visual stereotyping appears to be connected to the digital image market. To accomplish this, the author undertook a study of the software used by AFP journalists, together with a semiotic analysis of the image sizes, legends and comments. It would also appear that the globalization of press photography, which is based on international syndication, changes the status of the agency photographer. While journalistic standards for agency journalism normally suggest excising the author, the transformations of the Ishinomaki photograph triggered a media frenzy on social networks as much as in Western magazines – the photographer himself becoming the hero. A week after the Tsunami, the AFP published a dispatch outlining the history of the picture and revealed information that normally remains unknown to the public: e.g., selling price of the photograph, name of the bureau chief responsible for the collection of Asian news and the identity of the photographer. These details are archived on a Facebook page dedicated to this photograph – the hybridization of Asian and Western visual standards join the transformation of journalistic form under the influence of digitized media.
 
Este artigo analisa a incidência dos modos de circulação da imagem nas práticas da fotografia na imprensa. O exemplo escolhido é o de uma fotografia que representa uma mulher em meio aos escombros de Ishinomaki. A imagem foi adquirida pela Agence Française de Presse (AFP) junto a um jornal japonês no dia seguinte ao Tsunami de março de 2011. Ela foi reproduzida na capa de vários jornais ocidentais a partir de um reenquadramento que destacou a figura feminina. Inicialmente produzida num plano aberto, a fotografia evoluiu para um retrato e rapidamente passou a ser designada como a “madona dos escombros”. Ao descrever os fatos técnicos, comerciais e editoriais que estruturam o setor da fotografia jornalística, este artigo se interroga sobre a mundialização dos padrões visuais. Trata-se de compreender como os fenômenos de estereotipia visual estão relacionados ao funcionamento do mercado de fotografia digital. Nesse caso, a autora realiza uma observação dos softwares utilizados pelos jornalistas da AFP, o que é combinado com uma análise semiótica dos formatos, legendas e comentários sobre a imagem. O estudo revela que a mundialização da fotografia jornalística, que se baseia em um sistema de “syndications” internacionais, pela venda de produtos por meio de pacotes, modifica também o estatuto da fotografia produzida por uma agência. Mesmo que as normas jornalísticas aplicadas ao conteúdo das agências preconizem o apagamento do autor, as transformações da fotografia de Ishinomaki dão origem ao um folhetim midiático, veiculado tanto nas redes sociais como nas revistas ocidentais, no qual o próprio fotográficotorna-se um herói. A AFP publicou, uma semana após o Tsunami, um despacho sobre a história dessa imagem, em que desvenda todo tipo de informação desconhecida aos olhos do público: o preço de venda da fotografia, o nome do chefe do escritório encarregado pela produção de informações na Ásia, a identidade do fotógrafo. Todos esses detalhes estão arquivados na página de Facebook consagrada à imagem. Assim, a hibridação dos padrões visuais asiáticos e ocidentais se combina com uma mutação das formas jornalísticas, sob a égide das mídias informatizadas.
Publication
2014-04-15
Comment citer
WRONA, Adeline. Une madone à Fukushima. La condition numérique du portrait de presse. Sur le journalisme, About journalism, Sobre jornalismo, [S.l.], v. 3, n. 1, p. 170-181, avr. 2014. ISSN 2295-0729. Disponible à l'adresse : >https://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/137>. Date de consultation : 21 mai 2019

Mots-clés

photographie; AFP; mutation; Asie; portrait;