Duas telas, dois caminhos. A produção de notícias para celular e tablet no panorama dos jornais brasileiros.

  • Adriana Barsotti
  • Leonel Aguiar

Résumé

Por sua portabilidade, ubiquidade e tactilidade, as mídias móveis alteram os modos de produzir e consumir notícias. Potencialmente, smartphones e tablets poderiam gerar novas rotinas produtivas e linguagens jornalísticas. Entretanto, esses dispositivos provocaram caminhos distintos nas redações de jornais brasileiros. A partir de um estudo de caso nos sites mobile dos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo e nos produtos lançados para tablets por ambos – Estadão Noite e O Globo a Mais – constatamos que o smartphone não foi agente propulsor de mudanças. Há apenas a redistribuição automática de notícias nas telas de celulares a partir do conteúdo publicado nos sites dos jornais. A opção pela robotização do processo de edição dispensa a necessidade de jornalistas e, portanto, mantém inalteradas as rotinas produtivas. A automação também impossibilita o surgimento de uma nova linguagem jornalística. A tela do celular apenas reproduz características já presentes no jornalismo on-line. Os tablets, ao contrário, introduziram mudanças no processo de produção das redações. Tanto O Globo a Mais quanto o Estadão Noite contam com equipes próprias e dedicadas. Tais produtos rompem com o fluxo de produção incessante de conteúdo durante 24 horas das redações integradas com base no modelo digital first, orientado para abastecer todos os produtos jornalísticos de uma empresa a partir de seu site. Diferentemente do smartphone, o tablet não é visto como mais um canal de distribuição de notícias, mas como um meio distinto. A exploração desta mídia tem possibilitado o surgimento de uma nova linguagem jornalística. Se a tactilidade é apenas funcional nos smartphones, nos tablets ela torna-se um suporte necessário para se desvendar e experimentar conteúdo. O jornalismo feito sob medida para esses dispositivos tem apostado na lógica das sensações, ao apoiar-se na recepção por meio dos três sentidos: a visão, a audição e o tato.
 
Due to their portability, ubiquity and tactility, mobile devices are changing the patterns of news production and consumption. Smartphones and tablets could potentially create new productive routines and new journalistic languages. These two devices have, however, taken distinct paths in the newsrooms of Brazilian newspapers. A case study of the mobile phone sites of the O Estado de São Paulo and O Globo newspapers and their respective tablet apps, Estadão Noite and O Globo a Mais, demonstrates that the smartphone has not engendered change because only the automatic redistribution of information from content published on the newspaper websites appears on phone screens. This automation of the editing process excludes journalists and, consequently, does not affect their production routines. Automation also precludes the emergence of a new journalistic language. The smartphone screen merely reproduces the characteristics already present in online journalistic content. The same cannot be said for tablets, which have altered the editorial production process. Both O Globo a Mais and Estadão Noite have specific and exclusive teams. Such products break the constant stream of 24/7 newsroom content production based on the “digital first” model, designed to supply all of a company’s journalistic products from its website. Unlike the smartphone, the tablet is not seen as an additional channel for information distribution; it is perceived as a different means, the use of which gives rise to a swell of a new journalistic language. While tactility is merely a function on smartphones, it is a necessary platform for tablets to unveil and experience content. Journalism, tailor-made for these devices, relies on sensory perception and is founded on its three instruments: vision, hearing and touch.
 
De par leur portabilité, ubiquité et tactilité, les appareils mobiles changent les modes de production et de consommation des informations. Les smartphones et les tablettes pourraient, potentiellement, instaurer de nouvelles routines productives et d’autres langages journalistiques. Pourtant, ces dispositifs ont pris des chemins distincts dans les rédactions des journaux brésiliens. Une étude de cas sur les sites mobiles des journaux O Estado de São Paulo et O Globo, et sur leurs applications mobiles pour tablettes, Estadão Noite et O Globo a Mais, indique que l’utilisation du smartphone n’a pas entraîné de changements. Seule apparaît une redistribution automatique d’informations sur les écrans des portables à partir du contenu publié sur les sites des journaux. Le choix de la robotisation du processus d’édition se passe des journalistes et, par voie de conséquence, ne modifie pas les routines productives. L’automatisation empêche également l’apparition d’un nouveau langage journalistique. L’écran du téléphone portable se limite à reproduire des caractéristiques déjà présentes dans le journalisme en ligne. Il n’en est pas de même pour les tablettes, qui ont modifié le processus de production des rédactions. Qu’il s’agisse de O Globo a Mais ou d’Estadão Noite, les deux médias possèdent des équipes spécifiques et exclusives. De tels produits rompent le flux constant de production de contenu 24/24 h des rédactions intégrées sur la base du modèle digital first, destiné à approvisionner tous les produits journalistiques d’une entreprise à partir de son site. À la différence du smartphone, la tablette n’est pas vue comme un canal supplémentaire de distribution des informations ; elle est perçue comme un moyen différent, dont l’exploitation donne lieu au surgissement d’un nouveau langage journalistique. Si la tactilité est seulement fonctionnelle sur les smartphones, elle est un support nécessaire sur les tablettes pour dévoiler et expérimenter le contenu. Le journalisme, fait sur mesure pour ces dispositifs, mise sur les sensations et se fonde sur les trois sens de la réception : la vision, l’audition et le toucher.
Publication
2014-12-15
Comment citer
BARSOTTI, Adriana; AGUIAR, Leonel. Duas telas, dois caminhos. A produção de notícias para celular e tablet no panorama dos jornais brasileiros.. Sur le journalisme, About journalism, Sobre jornalismo, [S.l.], v. 3, n. 2, p. 56-69, déc. 2014. ISSN 2295-0729. Disponible à l'adresse : >https://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/183>. Date de consultation : 22 mars 2019

Mots-clés

Mobiles